Vida Económica

Novembro — 2011

“Temos produtos de todo o país e damos preferência a produtores mals pequenos”

Normalmente só valorizamos o que temos quando o perdemos. Foi isto que aconteceu com Adriano Ribeiro, piloto de aviões que por algum tempo viveu fora do país. Nessa altura sentiu falta de alguns produtos tipicamente portugueses.

Esta necessidade e a consciência que alguns produtos tradicionais de outros países tinham um mercado atrativo deram substancia a uma ideia que já ha algum tempo andava a germinar na cabeça de Adriano — criar uma gama de produtos típicos de qualidade com uma imagem moderna e apelativa. Nasce assim a José Gourmet em meados de 2008.O arranque desta aventura aconteceu com um produto de Azeitão porque havia um amigo produtor. A mais recente aposta desta empresa foi nas conservas portuguesas. ARTE foi o nome escolhido para a coleção de latas de conservas de formato tradicional mas com uma imagem contemporânea.

O ilustrador Gémeo Luís, que desde o início tem colaborado com Adriano Ri- beiro no desenvolvimento da imagem dos produtos, desafiou 11 colegas a reinventar a imagem das latas de conserva. Ao designer residente associaram-se Andre Letria, Marta Madureira, Cristina Valadas, Teresa Lima, Madalena Matoso. ]untos decoram as «velhinhas» latas de conserva transformando-as em produtos do século XXI.

Mas a este projeto juntou-se também o Chef Luis Baena que preparou receitas, para adultos e crianças, que acompanham as conservas, revelando métodos de utilização das sardinhas, lulas, atum em conserva. «O Chefe Luís Baena tem conhecimentos alargados sobre este setor», comenta Pedro, filho de Adriano e que e atualmente o responsável pela empresa, uma vez que Adriano mantém a sua profissão de aviador.

Mas esta reinvenção dos produtos nacionais, não se limita aos queijos ou as conservas. Também as garrafas de azeite, vinagres e licores são empilháveis. Com o fundo oco, encaixam umas sobre as outras através dos gargalos. «Acho que e importante mostrar que com alguma inovação e possível fazer coisas diferentes como que e português», reflete Pedro Ribeiro.  A atividade da empresa concentra-se única e exclusivamente ao desenvolvimento da embalagem e imagem dos produtos e a comercialização dos mesmos. O sucesso deste negócio esta em primeiro lugar na qualidade dos produtos e na relação estabelecida com os diferentes produtores. «Temos produtos de todo o país e damos preferência a produtores mais pequenos», diz Pedro Ribeiro. «Por exemplo nos vinhos trabalhamos com produtores com baixa produção, que têm dez a 20 mil garrafas por ano. Assim temos um produto quase exclusivo», acrescenta o empresário.

Esta e uma parceira vantajosa para ambos, pois garante qualidade e exclusividade a marca, mas permite também que os produtores consigam colocar os seus produtos em novos mercados onde de outra forma não seria possível.

A estreita relação entre a José Gourmet e os seus fornecedores/ parceiros também se da ao nível do desenvolvimento de novos produtos permitindo também aos próprios fornecedores a utilização deste know-how nas suas marcas próprias.

Os produtos Jose Gourmet estão presentes em mercearias finas de todo o país, onde a qualidade e originalidade e um fator distintivo. “Preocupamo-nos em ter o melhor. Mesmo que as margens de lucro ainda sejam pequenas. Seguimos a política do fair trade [comercio justo] ”, afirma Adriano Ribeiro. Acrescentando que o mercado preferencial e mesmo o mercado externo onde esta a saudade do que e português e também o maior poder de compra. Neste momento já estão na República Checa e no Luxemburgo. Sob a designação “Take away Portugal” são exportados queijos, azeites, vinagres, vinhos, licores, conservas, compotas e outros. “Queremos dentro da marca Take away Portugal criar take away açores, take away douro. Enfim para aplicar a marca as diferentes regiões e dentro dela incluir todos os produtos de cada região» afirma Pedro.

“O mercado preferencial e’ mesmo o mercado externo onde esta a saudade do que é português e também o maior poder de compra”, afirma Adriano Ribeiro, mentor da empresa Jose’ Gourmet.


“Dentro da José Gourmet estamos a desenvolver novos produtos e alargar a rede de vendas”

Vida Económica – Que projetos tem a José Gourmet para o futuro?

Adriano Ribeiro – Dentro da José Gourmet estamos a desenvolver novos produtos e alargar a rede de vendas. Começamos a exportar este ano e já estamos presentes em oito países. Vamos internacionalizar ainda mais. Vender até a exaustão e ter uma trading de produtos de Portugal é o nosso objetivo. Vender em hotéis de uma forma inovadora desenvolvendo conceitos de venda integrados.
Fora da José Gourmet vamos participar em novos projetos no desenvolvimento de novos negócios na área do merchandising e design e de Portugal aproveitando as enormes oportunidades de termos um ADN próprio há 500 anos. Em breve, vamos participar num novo negócio original de grande potencial. A semelhança do que fizemos com as conservas pretendemos desenvolver estratégias blue ocean para outros setores de atividade. Sabonetes, lápis, cortiça, mobiliário, joalharia são exemplos de áreas onde poderemos estar no futuro como consultores e promotores.

VE – De que forma a situação de crise profunda que vivemos atualmente no nosso país de atinge o vosso projeto e os vossos planos para o futuro?

AR – Mantemos a crise fora do pensamento. Estamos a triplicar vendas e com crescimento exponencial. Estamos no sítio certo a hora certa. Comprar Portugal, qualidade, produtos artesanais, comercio justo, generosidade, design, inovação, não vivermos de subsídios nem os procuramos, são conceitos nossos desde sempre e agora valorizados. O mundo não vai voltar a idade da pedra. Vemos oportunidade de reinventar e criar valor em muitos negócios. É nisso que concentramos a nossa energia.

VE – Que conselhos daria aos que agora são obrigados a empreender para poder ultrapassar esta situação que vivemos?

AR – Empreender é stressante e gratificante. Muitos empreendedores ‘forçados’ vão ser muito felizes no futuro. Viajar, ganhar mundo, observar, estudar, trabalhar muito, envolver novas pessoas (ganhar escala) são algumas das coisas que praticamos, recomendamos aos nossos filhos e poderíamos recomendar a todos.

 

Descarregar ficheiro